A Sombra que Nos Guia
Nas entranhas da noite, onde a lua se esconde,
Um véu de névoa cobre o vale profundo.
Entre sombras que dançam, um murmúrio se ergue,
Ecoando segredos que o tempo não apaga.
Sob o arco silente, onde os sinos não tocam,
Almas errantes buscam o que o mundo não provou.
Nas paredes de pedra, runas antigas sussurram,
Chaves de um mistério que o céu não desvendou.
A busca começa onde a razão se desfaz,
No limiar do abismo, onde o medo jaz.
Passos ecoam nos corredores sem fim,
Rastros de uma jornada que só o coração sente assim.
A chama da vela tremula, frágil e tênue,
Iluminando o rosto daqueles que ousam seguir adiante.
Nos olhos, o reflexo de um mundo além do véu,
Onde os mortos falam e os vivos se perdem no céu.
A cruz de ferro, fria ao toque da mão,
Guarda o portal para a eterna escuridão.
Mas é lá, no fundo do poço sem luz,
Que a verdade se esconde, além da cruz.
E assim caminhamos, entre sombras e dor,
Na busca mística por um amor que não tem cor.
Pois só nas trevas, onde a alma se desnuda,
Encontramos a luz que jamais se apaga, muda.
No fim da jornada, quando o véu se rasgar,
Veremos que o mistério sempre esteve a nos chamar.
E na quietude da noite, sob o manto sombrio,
Descansaremos, enfim, no abraço do eterno vazio.

