Sussurros do Além
Entre sombras e véus negros de mistério,
Minha alma vaga pelo etéreo cemitério
De sonhos há muito esquecidos,
E preces em lábios ressequidos.
As velas tremeluzem na capela escura,
Onde busco, em vão, minha cura
Na dança macabra dos santos silentes,
Guardiões de segredos semprePresentes.
Cruzes de ferro rangem ao vento gélido,
Enquanto meu espírito, pálido e gélido,
Ascende por entre névoas carmesim,
Buscando nas trevas um portal sem fim.
No altar de obsidiana e marfim antigo,
Encontro nas sombras meu abrigo,
Onde anjos caídos e demônios piedosos
Compartilham segredos silenciosos.
Em cada gárgula, um suspiro contido,
Em cada vitral, um lamento perdido,
Na dança entre luz e escuridão,
Encontro, enfim, minha salvação.
Pois na fronteira tênue do sagrado,
Onde o profano jaz abandonado,
Minha alma encontra sua verdade:
Na morte reside a eternidade.

