Sub Rosa
Nas dobras de um lenço de seda antiga,
Guardo o segredo que nunca se diz,
Onde cada pregueado esconde uma intriga
Mais profunda que qualquer cicatriz.
Não falo. Apenas desenho nas sombras
Símbolos que só os iniciados entendem,
Palavras que são como sombras
De significados que se escondem.
Meus lábios são um selo de cera vermelha,
Meus olhos, arquivos de um mistério antigo,
A verdade que ninguém revela
Dorme entre nós como um abrigo.
Conta-se apenas no sussurro mais baixo,
No entrelinhas de um gesto fugaz,
No olhar que não se fixa, no contacto laxo
Onde o segredo mais secreto renasces.
Sei mais do que jamais direi,
Carrego mais do que posso mostrar,
Sou guardião de uma história que não contarei
Nem sob tortura, nem sob o mar.
Sub rosa, sub silêncio, sub pele,
O segredo respira em meu peito,
Não há força que o revele,
Não há luz que o faça desfeito.

