Redenção nas Sombras

Das profundezas do meu próprio inferno,
Onde cultivei demônios como amigos,
Vejo nascer um feixe de luz eterno,
Cortando as sombras dos antigos castigos.

Entre cacos de espelhos quebrados,
Recolho os fragmentos do que fui,
E nas feridas dos dedos cortados,
Encontro a força que sempre tive, mas nunca soube.

As correntes que me prendiam ao chão
Agora são escadas para o alto,
Cada elo de culpa e aflição
Transformado em degrau de um novo assalto.

Nas paredes úmidas da madrugada,
Onde escrevia preces de desespero,
Agora brota uma aurora prateada,
Pintando de luz o que antes era apenas enegrecido.

Das cinzas de quem um dia fui,
Como fênix manchada de escuridão,
Ergo-me diferente, não me diminui
A cicatriz que marca minha transformação.

O sino que dobrava minha sentença
Hoje toca uma melodia de perdão,
E nas sombras encontro a presença
De uma paz que nasce da aceitação.

Os fantasmas que me assombravam
Agora são mestres silenciosos,
Ensinam que as dores que machucavam
São portais para dias mais gloriosos.

E quando a noite ainda tenta me assustar,
Lembro que sou feito de estrelas e abismos,
Que cada queda serviu para me levantar
Mais forte, mais sábio, mais eu mesmo.

Pois na dança entre luz e escuridão,
Aprendi que não há pecado sem perdão,
Nem noite tão longa que não tenha fim,
Nem alma tão perdida que não encontre, enfim,
O caminho de volta para si.

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