Labirinto Cósmico

Onde começa o universo? Onde termina o pensamento?
Sou um fragmento de consciência perdido
Entre dimensões que não têm assento,
Um grito de existência sem sentido.

Partículas de mim se dispersam no espaço,
Átomos que dançam sem lei ou razão,
Meu cérebro - um caos, meu corpo - um traço
Num diagrama louco de pura confusão.

Escuto vozes que não são minhas,
Vejo fronteiras que não existem,
As realidades se dobram, se afinal
E os limites do real se desfazem, resistem.

Sou equação sem resolução,
Número irracional no meio do nada,
Um teorema da imperfeição,
Uma pergunta sem resposta armada.

Os planetas giram sem propósito aparente,
As galáxias se chocam em silêncio absoluto,
E eu, átomo mínimo, consciente
Tento entender este infinito tributo.

Qual a medida do caos?
Qual o peso do mistério?
Navego em oceanos de paradoxos
Onde a lógica é um delírio etéreo.

Talvez eu seja apenas um sonho
De um universo que se pergunta,
Um lampejo de consciência, um ronco
Da máquina cósmica que nunca se ajunta.

E no centro desta vertigem sem fim,
Resto: confuso, fragmentado, múltiplo.
Sou pergunta, sou resposta, sou além 
Do maior mistério: ser partícula, ser múltiplo.

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