Entrelaçamentos do Invisível
No limiar onde os véus se dissolvem,
Entre o que é visto e o que se apresenta,
Minha alma desliza por dimensões que envolvem
Segredos que habitam a corrente
De um universo além da mente.
Ouço os sussurros dos antigos mestres,
Que tecem geometricamente as tramas do cosmos,
Onde cada pensamento são transparentes janelas
Por onde fluem energias, místicos moinhos
Que transformam o denso em etéreo.
Minha mão toca o invisível,
Desenho mandalas no ar incolor,
Cada círculo, cada linha, cada símbolo
É um portal para mundos sem cor,
Onde o tempo não tem fronteiras.
As estrelas não são pontos distantes,
São cicatrizes de memórias antigas,
Cada constelação conta histórias viajantes
De almas que dançam entre antigas
Geografias do conhecimento.
Sou ponte entre o tangível e o sonho,
Intérprete de línguas sem palavras,
Meu corpo é um templo, meu ser um ronco
De frequências que cortam as varas
Do real engessado e pequeno.
Invoco os elementos em meu centro:
Fogo que purifica, água que dissolve,
Terra que ancora, ar que liberta,
Cada célula um universo, cada suspiro um alerta
Para mundos que nascem dentro de mim.
Os antigos códigos pulsam em minhas veias,
Não são letras, são vibrações.
Não são sons, são constelações
De um saber que transcende as ideias,
Que habita os espaços entre os espaços.
Sou mistério que se revela,
Sou pergunta que se responde,
Sou o início e o fim que se confunde,
Numa dança cósmica e singela
Onde tudo é uno, tudo é nada.

